Efeitos dos surfactantes aniônicos LAS e LESS no desenvolvimento e na morfologia da cianobactéria Planktothrix agardhii CCIBt3125

Autores

  • Valdilene Maria dos Santos Instituto de Botânica (São Paulo), Secretaria do Meio Ambiente, Núcleo de Pesquisa em Ficologia.
  • Kleber Renan de Souza Santos Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC).
  • Luciana Retz de Carvalho Instituto de Botânica (São Paulo), Secretaria do Meio Ambiente, Núcleo de Pesquisa em Ficologia.
  • Célia Leite Sant'Anna Instituto de Botânica (São Paulo), Secretaria do Meio Ambiente, Núcleo de Pesquisa em Ficologia.

DOI:

https://doi.org/10.14210/bjast.v19n1.p1-5

Resumo

Os surfactantes aniônicos Linear Alquilbenzeno Sulfonato (LAS) e Lauril Éter Sulfato de Sódio (LESS) estão entre as principais substâncias utilizadas nas formulações de detergentes comerciais, e são lançados em redes de esgoto poluindo rios e mananciais, habitados por milhares de microorganismos, entre os quais estão as cianobactérias. O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos dos surfactantes LAS e LESS sobre o crescimento da linhagem cianobacteriana Planktothrix agardhii CCIBt3125. O experimento teve a duração de 16 dias sendo a contagem dos tricomas feita a cada dois dias, em câmara de Fuchs Rosenthal. O meio BG-11 foi utilizado como controle e os seguintes tratamentos foram testados (n = 3): BG-11+4% de LAS (concentração 4,13 mM) e BG-11+4% de LESS (concentração 5,32 mM), mantidos em temperatura de 23ºC±1, fotoperíodo 14/10 luz/escuro e irradiância 40-50 µmol fótons m-2.s-1. Na condição controle, a cepa apresentou crescimento exponencial do segundo ao décimo dia e taxa de crescimento de 0,17 (µ dia-1) enquanto que, comparativamente, os surfactantes promoveram uma resposta inibitória no desenvolvimento da biomassa: no décimo dia foi observada redução da densidade dos tricomas de 69% no tratamento com LAS e de 70% no tratamento com LESS; no décimo sexto dia houve redução de 88% (LAS) e de 90% (LESS), não havendo diferença significativa entre os dois tratamentos. Segundo a literatura, nossos resultados são os primeiros a mostrar esses efeitos sobre a espécie P. agardhii e estão em concordância com as informações já existentes sobre a ação inibitória de surfactantes no crescimento de outras espécies de cianobactérias; além disso, também mostram a necessidade de maior controle na destinação de efluentes contendo detergentes, devido aos seus efeitos negativos sobre a biota aquática.

Biografia do Autor

Valdilene Maria dos Santos, Instituto de Botânica (São Paulo), Secretaria do Meio Ambiente, Núcleo de Pesquisa em Ficologia.

Tecnológa em cosméticos pelas Faculdades Oswaldo Cruz(sp), técnica em química pela ETEC Getúlio Vargas-Centro Paula Souza(sp),cursando atualmente  bacharelado em química pela Universidade de Guarulhos Sp.

Kleber Renan de Souza Santos, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC).

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2005), Mestrado (2008) e Doutorado (2013) em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente pelo Instituto de Botânica (São Paulo). Atualmente é Professor no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), Campus Gaspar, Laboratório de Microbiologia. Tem experiência na área de Botânica, Educação Ambiental e Microbiologia com ênfase em cianobactérias, atuando principalmente nos seguintes temas: taxonomia, filogenia e cultivo de cianobactérias e microalgas; lagoas do Pantanal e ambientes costeiros.

Luciana Retz de Carvalho, Instituto de Botânica (São Paulo), Secretaria do Meio Ambiente, Núcleo de Pesquisa em Ficologia.

Possui mestrado doutorado em Química Orgânica de Produtos Naturais pela Universidade de São Paulo (1999). Atualmente é pesquisador Científico do Instituto de Botânica, atuando principalmente nas seguintes áreas: 1)Química de Cyanobacteria: cianotoxinas e substâncias cianobacterianas com atividades anticolinesterásica e antifúngica e 2) Química de Macroalgas marinhas: terpenos e substâncias ativas. 

Célia Leite Sant'Anna, Instituto de Botânica (São Paulo), Secretaria do Meio Ambiente, Núcleo de Pesquisa em Ficologia.

Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (1971) e doutorado em Ciências Biológicas (Botânica) pela Universidade de São Paulo (1980). Atualmente é pesquisador cientifico do Instituto de Botânica. Ë especialista em taxonomia e ecologia de microalgas e cianobactérias, atuando principalmente nos seguintes temas: biodiversidade de microalgas e cianobactérias de águas continentais, produçao de cianotoxinas, represas de abastecimento, monitoramento. Ë professora e atual coordenadora do Programa de Pós-Graduação em "Biodiversidade vegetal e Meio Ambiente", do Instituto de Botânica.

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Publicado

2016-03-05

Edição

Seção

Artigos