• Resumo

    Neoliberalismo, domesticação psíquica e submundo da cibercultura

    Data de publicação: 25/06/2026

    Este ensaio apresenta uma reflexão teórico-conceitual acerca do submundo da cibercultura estruturada em quatro blocos temáticos: (i) apresenta-se o neoliberalismo como dispositivo de domesticação psíquica, responsável pela internalização da lógica mercantil em todas as esferas da vida (Foucault, 2008; Harvey, 2015; Sodré, 2002; Han, 2015, 2018); (ii) delineia-se a relação entre superfície (oligopólio das Big Techs) e submundo (oligopólio das plataformas eróticas) como estratos complementares da sociedade mediática avançada (Trivinho, 2012); (iii) aplica-se do paradigma da complexidade (Morin, 2015) para desvendar a estrutura predatória dos sites adultos; e (iv) reflete-se sobre a sedação mediática (Baitello Jr., 2012) como mecanismo de violência simbólica (Bourdieu, 2004; Trivinho, 2007). Os resultados revelam um ecossistema neoliberal abandonado pelo jurídico global, em que a desinformação estrutural é utilizada como estratégia para apropriação de pautas progressivas, mascarando, assim, práticas de servidão (Trivinho, 2012). Conclui-se que a defesa da democracia exige combater a desinformação mediante desconstrução de discursos dissimulados e implementação de marcos regulatórios, com ênfase em políticas públicas que protejam os direitos humanos na esfera digital.

  • Referências

    BAITELLO JUNIOR, Norval. O pensamento sentado: Sobre glúteos, cadeiras e imagens. São Leopoldo: Unisinos, 2012.

    BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d’Água, 1991.

    BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

    BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.

    BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm.

    BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil da Internet). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm.

    FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: curso dado no Collège de France (1978-1979). São Paulo: Martins Fontes, 2008.

    HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

    HAN, Byung-Chul. Psicopolítica: o neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Belo Horizonte: Âyiné, 2018.

    HARVEY, David. O neoliberalismo: história e implicações. São Paulo: Loyola, 2008.

    LE BRETON, David. Adeus ao Corpo: Antropologia e sociedade. 6ª ed. Campinas: Papirus, 2013.

    MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 5. ed. Porto Alegre: Sulina, 2015.

    MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo: necrose. vol. 2. São Paulo: Forense, 1986.

    MOROZOV, Evgeny. Tech titans are busy privatising our data. The Guardian, 2016. Disponível em: https://www.theguardian.com/commentisfree/2016/apr/24/the-new-feudalism-silicon-valley-overlords-advertising-necessary-evil. Acesso em: 28 jan. 2025.

    SILVEIRA, Sérgio Amadeu. 2024. Plataformas digitais, nuvens e infraestrutura da guerra. In: J. M. da Silva; R. Chiachiri; T. Dwyer (Orgs.), Hermès Brasil: Brasil, do país do futuro às incomunicações do presente. vol. 1. Porto Alegre: Sulina, p. 99-110.

    SODRÉ, Muniz. Antropológica do espelho: uma teoria da comunicação linear e em rede. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

    TRIVINHO, Eugênio. A dromocracia cibercultural: lógica da vida humana na civilização mediática avançada. São Paulo: Paulus, 2007.

    TRIVINHO, Eugênio. Glocal. São Paulo: Annablume, 2012.

    TRIVINHO, Eugênio. A pós-indústria da infantilização digital. In: Revista Cult, 18 de outubro de 2021. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/industria-infantilizacao/. Acesso em 08.jan.2023.

    ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2021

Vozes e Diálogo

Revista académica vinculada aos cursos de Comunicação e ao Programa de Mestrado em Gestão de Políticas Públicas da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

 

 

 

Access journal