Objetivo: Analisar como as dificuldades no detalhamento de escopo em um projeto social podem comprometer seu sucesso, especialmente quando se aplicam metodologias tradicionais em contextos de alta subjetividade.
Contexto: O estudo baseia-se em um projeto voluntário desenvolvido por uma organização sem fins lucrativos especializada em gestão de projetos. A iniciativa, realizada em um lar de idosos, visava a promover segurança alimentar, saúde e qualidade de vida. A pesquisa examinou 16 atas de reunião, oito relatórios de progresso e outros registros operacionais.
Diagnóstico: A análise documental e observacional revelou que a formalização rígida do escopo, focado em entregas tangíveis (doações), e a ausência de instrumentos qualitativos comprometeram a identificação de necessidades subjetivas e expectativas intangíveis dos beneficiários, como interação social e lazer. Isso resultou no insucesso parcial do projeto, que teve entregas desalinhadas às necessidades, evidenciando a limitação das práticas tradicionais em contextos sociais.
Limitações: Como estudo de caso único, os resultados não são generalizáveis. A ausência de entrevistas com os beneficiários restringe a profundidade da análise.
Implicações práticas: Recomenda-se a adoção de modelos de gestão híbridos que combinem disciplina com flexibilidade, utilizando técnicas participativas e indicadores qualitativos para alinhar as entregas às expectativas dos beneficiários.
Implicações sociais: O alinhamento entre escopo e valores dos beneficiários favorece intervenções mais legítimas, sustentáveis e com maior impacto social.
Originalidade / valor: O estudo oferece evidências empíricas da falha de práticas tradicionais em um projeto social, propondo diretrizes práticas para gestão de escopo em projetos com entregas intangíveis e expectativas subjetivas, ampliando o debate sobre os limites dos modelos tradicionais em ambientes sociais complexos.
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