Este artigo analisa a cobertura do Jornal Nacional sobre as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul em maio de 2024, com foco nas entradas ao vivo exibidas na edição de 6 de maio, primeiro dia em que o telejornal foi apresentado diretamente do estado. O objetivo é compreender como se configura o pacto sobre o papel do jornalismo (Gomes, 2007) a partir dos modos de endereçamento adotados pelo programa em um contexto de tragédia climática. Para isso, foi realizada uma análise qualitativa da edição selecionada, observando elementos narrativos, visuais e performáticos das entradas ao vivo de apresentador e repórteres. Focou-se, ainda, na observação dos critérios de noticiabilidade que nortearam a seleção das pautas das entradas ao vivo. Percebe-se que o JN assume um papel de testemunha e mediador social, articulando factualidade, comoção e mobilização solidária. A cobertura reforça a centralidade do “ao vivo” como estratégia de credibilidade e aproximação, dialogando de forma parcial com pressupostos do jornalismo ambiental, especialmente no que tange ao impacto social das catástrofes climáticas.
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Revista académica vinculada aos cursos de Comunicação e ao Programa de Mestrado em Gestão de Políticas Públicas da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).