A água é um direito humano e elemento estruturante da cidadania. Entretanto, milhões de pessoas no Brasil, especialmente na Amazônia, ainda enfrentam dificuldades no acesso à água potável, recorrendo a fontes contaminadas e sistemas informais. Este estudo, desenvolvido como pesquisa-ação tecnológica, teve como objetivo avaliar a qualidade da água, analisar a percepção de mulheres beneficiadas com Sistemas de Captação de Água da Chuva (SCAC) e desenvolver um Dispositivo Artesanal Boia-Mangueira (DABM), projetado para captar água na porção intermediária do reservatório. A pesquisa foi realizada na comunidade Vila Tamaruteua, situada na Reserva Extrativista Marinha Mestre Lucindo (Marapanim-PA), e em uma residência urbana em Ananindeua-PA, entre 2024 e 2025. Foram aplicados questionários e entrevistas, complementados por diagnóstico socioambiental participativo e análises físico-químicas e microbiológicas, segundo protocolos da Portaria GM/MS nº 888/2021. Os resultados evidenciaram que as fontes hídricas apresentavam contaminação microbiológica e inadequações físico-químicas, reforçando a necessidade de tecnologias sociais apropriadas. O SCAC coletivo reduziu a vulnerabilidade hídrica, e o uso do DABM demonstrou melhoria significativa nos parâmetros de qualidade da água. Conclui-se que a integração entre inovação técnica, participação social e equidade de gênero constitui caminho estratégico para promover justiça hídrica e saúde em territórios amazônicos.
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